Páginas: 284
Ano: 2012
Sinopse (Skoob):
1978. Enquanto a Itália vive os dramáticos dias do sequestro
do seu ex-primeiro-ministro Aldo Moro, Milão, esgotada pelos confrontos
políticos e ameaçada pela criminalidade, prepara-se para se entregar aos
prazeres excessivos dos anos 1980. Para a rica sociedade milanesa, que passa os
verões em Santa Margherita e Paraggi, as diversões se tornam cada vez mais
extremas, em um clima de fim de império. É nesse ambiente que são conduzidos os
negócios de um homem enigmático e fascinante, vítima de uma mutilação causada
por sua insolência. Todos o conhecem como Bravo. Ele trabalha com mulheres.
Vendendo-as. Sua existência é uma longa noite em claro partilhada com
desesperados. O único ser humano com quem parece ter uma relação normal é
Lúcio, seu vizinho cego. Em comum, eles têm a paixão pelos criptogramas. O
surgimento repentino de uma garota, Carla, torna a despertar em Bravo sensações
que ele acreditava adormecidas para sempre. Na verdade, este é o início de um
pesadelo que o transformará em um homem procurado pela polícia, pelo serviço
secreto, pelo crime organizado e pelos militantes das Brigadas Vermelhas. Para
se salvar, ele poderá contar apenas consigo mesmo. O mundo real exige sua
presença e o põe diante da violência do seu tempo. Trata-se de algo tão sinistro
que faz seus tráficos torpes parecerem puros como água cristalina.
Bravo não é seu nome verdadeiro, mas este não importa. Ele gosta
de mulheres, sempre gostou, mas não fica com elas, as vende. Bravo vive –
segundo ele mesmo – “um palmo acima” do limite da lei dos homens. O que não é
problema – nem para ele, nem para a lei.
Um homem de muitos contatos e sem amigos, apenas
companheiros. O mais próximo deles é Lucio, seu vizinho violonista e cego. Um solitário.
Seu vício, além do cigarro, são os criptogramas – de revista e trocados entre
ele e Lucio.
Orquestra negócios escusos que lhe rendem bom dinheiro, que
ele não ostenta. Cuida das mulheres que vende apenas se elas lhe forem
vantajosas e só as negocia com pessoas de classe.
Egocêntrico, invejoso, sagaz, irônico, sarcástico, este é o
protagonista da história. Seus problemas são apenas seus e os dos outros não
lhe importam nem um pouco. Até que Carla entra na sua vida.
Memórias de um
vendedor de mulheres nos leva às mudanças que a entrada de certas pessoas
na nossa vida a altera completamente. Bravo agia fora da lei, mas não tinha
problemas diretos com a polícia, porém – de repente – está envolvido em cenas
de assassinato. E sem álibi.
Ele narra sua vida de forma crua e direta. Como um realista
nato, avalia todas as ações que tomará e as possíveis reações de com quem
lidará friamente para que tudo seja resolvido da melhor maneira para ele. A mais
vantajosa para seus interesses.
Fiquei meio perdida no sentido geográfico mesmo, pois Bravo
cita os nomes das praças e ruas de Milão. E em alguns momentos dá para se
perder entre os personagens citados pelo Bravo, pois ele alterna entre seus
apelidos e nomes verdadeiros e fala de muita gente.
O final é surpreendente. Me deixou de queixo caído com
alguns fatos dos últimos capítulos. Acredito que esse é o livro com mais
reviravoltas que já li. Em um capítulo as coisas estão de um jeito e no outro
mudam 180 graus.
Quase me perdi em alguns momentos, só quase. O livro é
intrigante e a cada página, a cada nova ideia do Bravo eu me perguntava onde
ele ia me levar, se para mais um crime ou se para uma de suas sacadas sagazes.
A leitura é bastante adulta e eu indico demais. Giorgio
Faletti me conquistou e lerei seus outros livros com certeza.
Nota: 5/5.
Camila Araújo