Editora: Intrínseca
Páginas: 392
Ano: 2012
Sinopse (Skoob):
África do Sul, 1990. Dois grandes eventos estão prestes a acontecer: a
libertação de Nelson Mandela e, o que para o garoto John Milton é ainda mais
importante, o início das aulas no internato. Cercado por pais no mínimo
lunáticos, uma avó gagá e colegas de dormitório para lá de estranhos (com
apelidos do tipo Lagartixa, Rambo, Rain Man e Cachorro Doido), John (que graças
a suas partes íntimas pouco desenvolvidas é debochadamente apelidado de Cotoco)
faz o que pode para se adaptar - e tudo indica que não será fácil. Munido
apenas da própria perspicácia e de um diário, Cotoco vive uma série de
situações bizarras e divertidas: de mergulhos proibidos no meio da madrugada a
acirrados campeonatos de críquete, passando pela caça ao fantasma de um
professor e por catastróficas férias em família. E é nas páginas de seu diário
que acompanhamos o peculiar - e sobretudo engraçadíssimo - funcionamento da
mente de um garoto de 13 anos ao descobrir a vida, a amizade... e a pluralidade
da fauna humana.
Em quantas encrencas oito garotos de 13, 14 anos podem se
meter? Eu não sei bem, mas são muitas!
Em Cotoco, oito
jovens adolescentes – na verdade pré-adolescentes, já que eles vivem em 1990 e
não são precoces como as crianças de hoje – estudam num internato na África do
Sul e vão aprontar poucas e boas indo banhar de madrugada na represa;
desvendando os mistérios por trás do enforcamento de um professor anos atrás e
explorando a cripta da capela do campus.
Além de tudo isso, eles acompanham as mudanças políticas
pelas quais o país passa no ano de 1990, com a libertação de Nelson Mandela e o
fim do Apartheid. E, para completar, terão que formar um time de amigos unidos
para se defender de uns idiotas da mesma ala deles.
John Milton, o protagonista da história, narra todos os acontecimentos
em seu diário: como sua família é maluca e o faz passar muita vergonha –
deixando a leitora que vos fala com vergonha alheia e pena do garoto; como seus
colegas de dormitório são doidos, cada um a sua maneira, e muito peculiares
deixando bem claras as diferenças apesar da grande amizade; e ainda tem a peça
da escola e os treinos e jogos de críquete.
Enfim, a vida de Johnny e seus amigos – os Oito Loucos, como
são conhecidos na escola – é como a vida de qualquer criança saudável, (tirando
o Lagartixa e o Rain Man que visitam bastante a enfermaria do colégio...) com
muitas brincadeiras e as primeiras descobertas com relação ao amor.
Não há uma passagem de Cotoco
– O diário perversamente engraçado de um garoto de 13 anos que seja menos
que ótima! Sejam as partes embaraçosas, os relatos das atividades diárias ou as
partes tristes, tudo é demais! E totalmente verossímil às peripécias de um
grupo de garotos inconsequentes comandados por jovens destrambelhados e
vigiados por professores mais malucos que todos os outros.
Os pais e a avó do Johnny merecem o Oscar de família mais
pirada do mundo literário. E o Milton ainda ganhou meu respeito por, além de
aturar a família, ler e adorar O Senhor do Anéis. ^^
John van de Ruit merece os parabéns por escrever um livro
tão verdadeiro, tanto na conduta dos personagens quanto no enquadramento
histórico à época da narrativa. Além de montar um protagonista e coadjuvantes
tão cativantes.
Indico a obra para todo mundo! Adultos e crianças, meninos e
meninas.
Nota: 5/5 – vai para a categoria dos queridinhos. ;)